Esses passos organizam todo o processo, da preparação à versão final, com orientações práticas, modelos e critérios adequados ao ensino médio e superior.
Página 45: Descrição do ambiente → reforça a ideia de isolamento social; relaciona-se ao contexto do século XIX.
A obra aborda a trajetória de um jovem que deixa o interior, mas não só narra a viagem: usa-a para criticar as desigualdades regionais e a falta de perspectiva social no período.
Afirmação: A personagem principal representa a resistência feminina.Prova: No capítulo 3, ela desobedece às normas da comunidade e defende suas ideias (p. 28).Explicação: Essa atitude contraria os valores da época e marca uma postura crítica do autor.
“O silêncio era a única resposta que recebia” (p. 17).
Escrita em 1930, a obra dialoga com o modernismo, ao abandonar formas fixas e tratar de temas sociais, assim como ocorre em outras obras do mesmo período.
EXEMPLO SEGUINDO OS 10 PASSOS
Autor: Machado de AssisEdição utilizada: ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. Edição comentada por John Gledson. São Paulo: Editora 34, 2013. 320 p.
Publicado originalmente em 1881, Memórias Póstumas de Brás Cubas é uma das obras mais importantes da literatura brasileira e marca o início do Realismo no Brasil. Escrito por Machado de Assis, o livro inova ao adotar um narrador defunto — Brás Cubas — que conta sua própria vida depois de morrer, com liberdade para criticar, ironizar e refletir sobre a sociedade, a política e as relações humanas do século XIX. A edição utilizada nesta resenha é confiável, com texto estabelecido e notas que esclarecem referências históricas e literárias, o que garante precisão à análise.
A narrativa não segue uma ordem cronológica rígida: o narrador, já no túmulo, relata sua trajetória desde a infância até a morte, destacando sua vida ociosa, as relações familiares, os amores frustrados — especialmente com Virgília — e suas tentativas fracassadas de participar da política e da vida pública. Brás Cubas deixa claro que não realizou nada de relevante: não deixou filhos, não construiu obra, não contribuiu para a sociedade. O núcleo da obra não é contar uma história de sucesso, mas sim expor, com ironia, a futilidade da elite brasileira da época, seus privilégios e sua falta de compromisso com valores coletivos. Como ele mesmo afirma: “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria” (p. 45), frase que resume a visão crítica sobre a sociedade que ele representa.
O principal valor da obra está na forma como Machado de Assis constrói a crítica social por meio da ironia e do humor. Ao escolher um narrador morto, o autor elimina qualquer necessidade de agradar o leitor ou a sociedade: Brás Cubas fala com franqueza, expõe hipocrisias e desmascara as regras que governavam a vida na Corte.Um ponto central é a análise das relações humanas: o amor, a amizade e a família são mostrados como movidos por interesse, aparência ou conveniência. Por exemplo, seu romance com Virgília, casada com um político, não é baseado em afeto verdadeiro, mas em vaidade e convenção social. Como observa o próprio narrador: “O amor é um jogo de aparências, onde cada um representa o seu papel” (p. 122). Essa visão desiludida torna a obra muito moderna, pois questiona valores que ainda são discutidos hoje.Além disso, a estrutura do romance — com capítulos curtos, digressões e reflexões diretas — rompe com as regras do romance tradicional da época, aproximando-se de uma escrita mais livre, que valoriza a análise psicológica e social em detrimento da ação. Muitos estudiosos apontam que essa forma antecipa características do modernismo literário, mostrando a originalidade de Machado de Assis.Por outro lado, a linguagem e o tom irônico podem exigir atenção do leitor menos familiarizado com o período, pois algumas críticas estão implícitas e dependem da compreensão do contexto histórico. Ainda assim, essa característica é também um ponto forte, pois convida o leitor a refletir e não apenas receber a história passivamente.
Memórias Póstumas de Brás Cubas faz parte do Realismo, movimento que surgiu na Europa e chegou ao Brasil com a proposta de representar a realidade de forma mais objetiva, criticando a sociedade e seus problemas. Diferente do Romantismo anterior, que idealizava personagens e cenários, Machado de Assis mostra o ser humano com seus defeitos, contradições e limitações. A obra também dialoga com teorias sobre a sociedade e o indivíduo, e é frequentemente estudada ao lado de outros clássicos como O Cortiço, de Aluísio Azevedo, que também analisa a realidade brasileira, mas sob uma perspectiva diferente.
Memórias Póstumas de Brás Cubas é uma obra fundamental não apenas para a literatura, mas para a compreensão da história e da cultura do Brasil. Com uma narrativa inovadora e uma crítica afiada, Machado de Assis cria um texto que continua atual, pois aborda questões como hipocrisia, desigualdade e a busca por sentido na vida. É recomendada para estudantes, pesquisadores e todos que desejam conhecer melhor a formação da sociedade brasileira e a genialidade de um dos maiores escritores do país.
ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. Edição comentada por John Gledson. São Paulo: Editora 34, 2013.