Título: Se não contar, a gente vai esquecendo: memórias ribeirinhas
Organização: Mariana Molina e Thaís Espinosa
Edição: Anaclara Volpi Antonini, Mariana Molina e Thaís Espinosa
Local/Ano: São Paulo: Ed. dos Autores, 2024
A obra apresenta-se em formato digital (e-book) estruturada em prefácio (assinado por Elizeu Braga), apresentação, uma introdução metodológica e afetiva das organizadoras ("Entrar com pés descalços e sem relógio"), o corpo principal composto por quatorze relatos de história de vida de moradores da região, ensaios textuais de contextualização territorial/histórica ("Território marcado pelos fluxos exploratórios", "A RESEX Lago do Cuniã" e "Habitar um tempo dilatado"), agradecimentos ("Fazem parte dessa construção") e referências.
Contém fotografias documentais assinadas por Thaís Espinosa, ilustrações de Flávio Dutka, diagramação de Christian Salmeron e revisão de Alan Lobo.
O livro reúne narrativas orais transcritas na primeira pessoa, capturando a fonética, as expressões regionais e a poética do falar caboclo de moradores da Reserva Extrativista (RESEX) Lago do Cuniã, localizada às margens do Baixo Rio Madeira, em Rondônia. As organizadoras dividem os relatos a partir de "núcleos" comunitários de habitação:
Núcleo Araçá: Histórias de Dona Gezuíta, Seu Chagas, Dona Teresa e Seu Mair.
Núcleo Arrozal: Relato de Seu Joca.
Núcleo Bela Palmeira: Relatos conjugados de Francisca e Raimundo.
Núcleo Neves: Histórias de Diego, Dona Esvaldina, Hugo, Seu Dudu e Seu Vivaldo.
Núcleo Pupunhas: Depoimentos de Dona Valdivina e Seu Paçoca.
Núcleo Silva Lopes: Histórias de Dona Ilma e João Bernaldo.
O objetivo central é a preservação da memória coletiva, a difusão dos saberes tradicionais, técnicas de subsistência e cosmologias da floresta. O livro resgata a transição histórica da região - desde os ciclos da borracha (ligados aos soldados da borracha) e da extração de castanha até a homologação da Reserva Extrativista, tencionando a relação entre o isolamento geográfico e as transformações da modernidade (como a introdução da televisão e do celular).
1. Núcleo Araçá
Dona Gezuíta: Nascida em Itacoã, migrou para o Araçá com um ano de idade. Destaca a dureza do trabalho infantil e braçal histórico (roça, castanha, farinha) em contraponto com as brincadeiras de roda sob o luar (como a "canção da margarida"), que hoje foram substituídas pelas telas de celulares. Sofre de diabetes, o que a afastou do trabalho pesado, mas encontra refúgio no silêncio da pesca com caniço no lago.
Seu Chagas (Francisco da Chagas): Natural do Amazonas (Humaitá), trabalhou como seringueiro desde os 12 anos no Rio Machado antes de fixar-se no Cuniã. Descreve em minúcias o exaustivo processo de feitura da farinha d'água e de tapioca com o uso do caititu (motor de ralação). Lamenta a perda da tradição de contar histórias e fazer adivinhações à noite entre vizinhos após a chegada da televisão há mais de vinte anos. Recorda com saudade o irmão Zeco, conhecido por atrair pessoas através de seus causos.
Dona Teresa: Nascida no Mirari (Amazonas), mudou-se na infância com a família numerosa. Detalha que o estudo antigo no Cuniã ia apenas até a 4ª série. Narra a longa história de namoro de dez anos com Mair, marcada pela timidez extrema de ambos e por uma fuga consensual. Criou os onze filhos a partir da produção de farinha, enfrentando o isolamento do Ensino Médio (que obrigava o envio dos jovens para Porto Velho) e a paralisação do transporte escolar fluvial decorrente da Operação Ciranda da Polícia Federal.
Seu Mair: Nascido em Três Casas (Amazonas), migrou em 1971 fugindo da miséria extrema. Expõe de forma aberta como a intersecção entre racismo estrutural ("cor preta"), pobreza e timidez moldaram sua autoimagem e a vergonha inicial que sentia ao namorar Teresa, que era branca e cobiçada na região. Defende que caráter, capricho e vergonha caminham juntos, e reflete sobre os desencontros amorosos da juventude e a superação dos preconceitos da comunidade por meio do amor conjugal.
2. Núcleo Arrozal
Seu Joca: Oferece um dos relatos mais densos e multifacetados. Recorda a expulsão violenta sofrida por sua família por coronéis de terra no Amazonas nos anos 1960 e a subsequente descida do Rio Madeira em canoa a remo. Critica duramente o cenário político (citando a transição governamental que desamparou os ribeirinhos), os abusos dos impostos e o custo do sistema de saúde (ao necessitar de um aparelho auditivo de dez mil reais). Rejeita alimentos industriais ("envenenados"), detalha sua dieta tradicional de cuscuz, toucinho e rapadura, e introduz contos fabulosos e mitológicos locais, como a narrativa humorística da cotia cujos dentes saíam fumaça de tanto roer cocos de castanheira. Reflete sobre a partilha do saber: "O que você sabe, eu num sei, e o que eu sei, você num sabe".
3. Núcleo Bela Palmeira
Francisca e Raimundo: Moradores isolados de vizinhos há dezoito anos. Francisca relata a escassez histórica de água potável (solucionada apenas com o poço artesiano), o medo constante de jacarés ao lavar roupas na beira do igarapé com as crianças e a falta crônica de energia elétrica que os obriga a dormir à luz de velas. O núcleo familiar se dedica ao artesanato em madeira e crochê. Raimundo resgata a lenda do Mapinguari, descrevendo-o como um bicho de um olho na testa, boca no umbigo, dentes indestrutíveis e cheiro forte, associando a criatura ao destino cosmológico de índios e caboclos velhos que desaparecem na floresta.
4. Núcleo Neves
Diego: Jovem de 28 anos focado no potencial de biojoias e no manejo sustentável. Decidiu não morar na cidade por sofrer de ansiedade e insegurança urbana ("ficar escarrerado"). Defende que as populações tradicionais precisam se especializar (em biologia ou agronomia) para extrair o potencial econômico do açaí nativo e peixes através da COOPCUNIA, gerando renda justa. Explica a diferença de paladar entre o açaí nativo e o açaí plantado ("touceira") e detalha a horta suspensa contra a invasão de animais.
Dona Esvaldina: Filha de um "soldado da borracha" recrutado durante a Segunda Guerra Mundial. Nascida em 1947, rememora o esforço físico desumano de carregar paneiros de mandioca puba na cabeça. Recorda a fundação da primeira escola de paxiúba e as regras antigas que exigiam exames aplicados por fiscais vindos de Porto Velho. Poetisa, compartilha cantigas autorais tecidas mentalmente na beira do fogão e reconta lendas clássicas do livro didático Infância Brasileira (1956), como o mito indígena do corte da seringueira dado por Tataitá e as lágrimas de diamante de Potira.
Hugo: Adolescente que migrou para o Cuniã após perder a moradia na histórica enchente do Rio Madeira de 2014, que alagou o bairro Triângulo em Porto Velho. Destaca a paz do lugar e o lazer nas cachoeiras temporárias, mas expõe sua frustração com o atraso escolar decorrente da paralisação de contratos do transporte fluvial (Operação Ciranda). Alimenta o sonho de estudar Medicina e diverte-se com os causos mitológicos contados pelo povo sobre as melancias gigantes de Seu Joca.
Seu Dudu (Eduardo): Ancião de 77 anos cujo avô chegou ao Cuniã em 1920, convivendo originalmente com os indígenas Mura. Encontrou vestígios arqueológicos no solo ("pão de índio"). Lamenta o avanço avassalador do desmatamento fora da reserva, transformando a floresta em grandes "camposões de soja e gado". Defende a economia extrativista de óleos (copaíba, andiroba) e polpas, criticando o ócio dos jovens urbanos frente à televisão em contraponto à ética de trabalho tradicional na floresta.
Seu Vivaldo (Raimundo Vivaldo): Nascido em 1946, filho de um administrador de seringal. Explica que na sua juventude a borracha era chamada de "ouro branco". Relata o drama do isolamento na saúde, tendo perdido o filho para a leucemia e a esposa para o câncer devido às dificuldades de diagnóstico. Narra ter sido salvo de uma paralisia facial/derrame por meio de um remédio fitoterápico ("remédio verde") oferecido às pressas por moradores locais. Destaca a mobilização política de seu pai através de abaixo-assinados na era do governador Aluízio Ferreira para trazer os primeiros professores públicos ao território
5. Núcleo Pupunhas
Dona Valdivina – "Uma parteira sabe de muitos remédios, senhora!" : Nasceu no estado do Amazonas, no seringal Nazaré, e mudou-se para o Cuniã após se casar. No início, morava em uma casa de palha e enfrentou muitas dificuldades, como a falta de malhadeira (rede de pesca) e de mantimentos básicos, precisando fiar algodão para fazer tecidos. Seu pai era seringueiro e ela cresceu ajudando na roça. Recorda que a vida era muito controlada pelos donos dos seringais (os "patrões"), que proibiam os moradores de ter roça própria para forçá-los a comprar tudo no barracão deles. Aprendeu o ofício de parteira por necessidade e por intuição ("pela minha cabeça mesmo"), após ver uma mulher sofrer muito em um parto sem assistência. Ao longo da vida, realizou cerca de 40 partos na região, sem nunca perder nenhuma mãe ou criança. Possui um vasto conhecimento de remédios caseiros e plantas medicinais. Ela destaca o uso da entrecasca da quina para tratar a maleita (malária), o uso do mel de abelha com limão, e o óleo de copaíba e de andiroba para inflamações.
Seu Paçoca – "A gente aprende, continuando fazendo, né?": Seu nome real é Sebastião, mas todos o conhecem como Paçoca, apelido que ganhou na infância por ser muito gordo e "redondinho". Nasceu na própria região do Cuniã.Começou a trabalhar cedo na floresta acompanhando o pai. Relata a dureza da quebra de castanha e da extração do leite da borracha (seringa). Explica o processo de defumação da borracha, que exigia o uso de "caucho" ou "tapiá" para dar o ponto elástico no couro da borracha.Testemunhou a transição da comunidade da época dos patrões monopolistas para o formato atual de Reserva Extrativista (RESEX). Ele valoriza a conquista da liberdade de poder plantar e vender sua própria produção sem a exploração dos antigos donos de barracões. Defende que o conhecimento prático da floresta é adquirido no dia a dia, insistindo e "continuando fazendo", e que o respeito à natureza é a chave para a sobrevivência do seringueiro.
6.Núcleo Silva Lopes
Dona Ilma – "Eu gosto de ir no remo, no silêncio": Destaca-se pelo seu amor profundo pela tranquilidade e pela natureza do Cuniã. Ela expressa uma forte preferência por navegar de canoa usando o remo, rejeitando o barulho e a agitação dos motores ("rabetas"), pois prefere o silêncio e a paz do lago.Descreve a rotina das mulheres ribeirinhas, que se dividem entre os cuidados com a casa, o trato com os filhos, o trabalho na roça de mandioca e a produção de farinha. Vê o isolamento da comunidade não como um abandono total, mas como um refúgio de paz. Seu relato é muito focado na calmaria, na contemplação da paisagem amazônica e na valorização das pequenas coisas do dia a dia na floresta.
João Bernaldo – "Era no tempo da escravidão": Seu depoimento resgata histórias antigas ouvidas de seus pais e avós sobre o período da borracha na Amazônia. Ele associa o regime de trabalho dos antigos seringais a uma forma de escravidão disfarçada, onde o trabalhador estava sempre devendo ao patrão e não podia sair da terra. Relata como os seringueiros eram castigados ou severamente prejudicados pelo sistema de "aviamento" (troca de mercadorias superfaturadas por borracha desvalorizada).Traça um paralelo entre o sofrimento dos mais velhos e a realidade atual. Para ele, o fato de hoje os moradores serem donos do próprio trabalho e terem o direito à terra na RESEX é uma vitória histórica contra o sistema opressor do passado.
AINDA PODEMOS DESTACAR NA LEITURA DESSE LIVRO/E-BOOK:

1. O Papel da Mulher na Linha de Frente da Memória
Embora o imaginário do seringal e da floresta historicamente privilegie a figura masculina (o seringueiro, o extrativista), os relatos de Dona Gezuíta, Dona Teresa, Dona Esvaldina e Dona Ilma subvertem essa lógica. Elas revelam que a sustentabilidade da vida na comunidade dependia - e depende - fundamentalmente do trabalho invisível feminino. São elas que narram a jornada tripla de carregar paneiros pesados de mandioca, cuidar da casa, educar dezenas de filhos sob isolamento e, crucialmente, manter viva a oralidade através de cantigas tecidas na beira do fogão.
2. A Tensão Metodológica: Transcrever sem Domesticar
Um ponto técnico louvável na edição de Molina, Espinosa e Antonini é a escolha metodológica de manter a fala tal qual ela brota. Em vez de "corrigir" o português dos ribeirinhos para adaptá-lo à norma culta urbana, a edição respeita a fonética local. Isso cria uma experiência de leitura auditiva, onde conseguimos "ouvir" o sotaque, as pausas e o vocabulário próprio do Baixo Madeira (como o uso de termos ligados à fauna, flora e manejo). Trata-se de uma postura descolonial de dar voz, e não apenas falar sobre o outro.
3. A Fotografia como Texto Visual
As imagens de Thaís Espinosa que acompanham o livro não servem como meras ilustrações decorativas. Elas operam como uma narrativa paralela. Ao capturar os rostos marcados pelo sol, as mãos calejadas pelo trato com a terra e com o peixe, e a vastidão do espelho d'água do Cuniã, a fotografia documenta visualmente a dignidade e a severidade que as palavras tentam traduzir.
4. Um Registro de Denúncia Governamental
O e-book não se esquiva de registrar as rachaduras nas políticas públicas. Ele funciona como um documento de denúncia contra: PDF
O isolamento educacional: A menção repetida à Operação Ciranda expõe como a burocracia e a corrupção na engrenagem estatal de Porto Velho cortaram as asas de jovens que queriam estudar, paralisando o transporte escolar fluvial.
A fragilidade da saúde: O relato de Seu Vivaldo sobre a perda de familiares por falta de diagnóstico rápido joga luz sobre o abandono médico sofrido por populações tradicionais.
5. As Ilustrações de Flávio Dutka: A Linha que Conhece a Floresta
As ilustrações de Flávio Dutka não são meros adereços estéticos na obra; elas carregam a autoridade de quem vivencia a Reserva Extrativista Lago do Cuniã por dentro há anos. Por sua atuação direta no território, Dutka traduz em traços e formas uma intimidade profunda com o cotidiano, a fauna e a fisionomia dos ribeirinhos. Seus desenhos funcionam como uma tradução visual da memória coletiva: eles capturam a curvatura exata de uma canoa a remo, o paneiro carregado de castanhas e a expressividade dos rostos calejados pelo sol. Ao unir sensibilidade artística e conhecimento etnográfico prático, a arte de Dutka confere ao e-book uma camada extra de legitimidade, transformando o traço em um testemunho gráfico de quem não apenas reconta a história do Cuniã, mas ajuda a protegê-la no dia a dia.
6. O paradoxo da "Modernidade"
O livro desenha de forma muito sutil um paradoxo contemporâneo: ao mesmo tempo em que a chegada da internet, do celular e da televisão quebra o isolamento geográfico e traz conforto, ela provoca o esmaecimento da cultura comunitária. Os anciãos apontam com clareza que o hábito de sentar no quintal para "contar causos" e fazer adivinhações está morrendo porque os jovens agora preferem as telas.
O e-book, ironicamente editado em formato digital, surge exatamente para salvar no ambiente virtual aquilo que o ambiente virtual está ajudando a apagar no mundo físico.
LOGO,
Nas águas mansas e profundas do Lago do Cuniã, o tempo não se mede pelas batidas mecânicas do relógio, mas pelo ritmo ancestral das marés, pelo ciclo dourado da castanha e pelo sussurro do vento que dobra as palhas de paxiúba. “Se não contar, a gente vai esquecendo” não é apenas o título que costura estas páginas; é um manifesto de resistência afetuosa contra o silêncio que ameaça engolir as vozes da floresta.
A obra se derrama em prosa como um rio que abraça a terra, transformando o ato de registrar memórias em um ritual de salvaguarda e afeto. As organizadoras e editores, ao entrarem nesse território "com pés descalços", despiram-se das pressões da modernidade acelerada para escutar a poética cabocla em seu estado mais puro. O livro funciona como um espelho d'água onde o passado e o presente se cruzam.
Nele, a caligrafia severa dos tempos da borracha - quando homens eram engolidos pelas estradas de seringa sob o peso do "ouro branco" - funde-se à delicadeza das cantigas de roda que outrora animavam as noites de luar, antes que a luz azul das telas de celular e a cantilena das televisões silenciassem os quintais. Cada núcleo comunitário desenhado na obra é uma constelação de saberes e vivências.
No Araçá, a doçura e a crueza caminham de mãos dadas: há a melancolia do isolamento e das dores do corpo, mas há também a persistência do amor que venceu preconceitos e se consolidou na partilha do trabalho com a farinha. No Arrozal, a voz de Seu Joca ecoa como um trovão de sabedoria e dignidade, lembrando-nos de que a riqueza não se mede em moedas, mas na soberania de comer o que a terra dá sem venenos, e na mística de que o conhecimento humano é uma eterna colcha de retalhos: o que um não sabe, o outro ensina.
Mais adiante, no isolamento sagrado da Bela Palmeira, o cotidiano ganha contornos de fábula e mistério. Ali, onde a luz de velas ainda rasga a escuridão, o medo do jacaré na beira do igarapé convive com o respeito ao Mapinguari, essa criatura mítica que nada mais é do que o espírito da própria floresta cobrando seu tributo de mistério e preservação. O Cuniã transborda essa cosmologia onde o humano, o animal e o sagrado habitam o mesmo chão.
Por fim, nas Neves, o livro encontra sua ponte com o futuro. Entre as lembranças dos filhos dos soldados da borracha e os lamentos pelo avanço predatório dos campos de soja que cercam a reserva, surge o pulsar dos jovens. Em suas vozes, o açaí nativo deixa de ser apenas sustento para virar um elo de manejo sustentável e dignidade econômica. Mesmo diante das feridas abertas pelas enchentes históricas e pelo descaso político que por vezes silencia o motor do transporte escolar, há uma força telúrica que mantém essa gente firme à beira-rio.
Esta obra é, portanto, um tear de afetos, dores e esperanças. Suas páginas guardam o cheiro da mandioca puba, o estalar do fogo de chão e o brilho dos olhos de contadores de histórias que se recusam a desaparecer. Ler este livro é navegar pelo Baixo Rio Madeira de peito aberto, compreendendo que a identidade de um povo é feita de correnteza e memória e que, enquanto houver alguém para contar e alguém para registrar com respeito, a floresta e seus filhos permanecerão inesquecíveis.
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Se não contar,a gente vai esquecendo:Memórias Ribeirinhas