23 Jun
23Jun

Em meio às vastidões verdes da Amazônia, onde o cotidiano pulsa em ritmo de rio e memória, a literatura infantojuvenil encontra um terreno fértil para florescer como guardiã de tradições. É nesse cenário de afetos, saberes compartilhados e práticas ancestrais que surge A Farinhada Lá na Casa do José, de Auxiliadora dos Santos Pinto - uma obra que não apenas narra, mas celebra a vida comunitária amazônica. Mais do que contar uma história, o livro convida o leitor a entrar na roda da farinhada, sentir o cheiro da mandioca sendo torrada, ouvir as vozes que ecoam entre trabalho e festa, e reconhecer na simplicidade do gesto coletivo a força de uma cultura que resiste. Ao unir memória afetiva, poesia e identidade, a autora transforma uma prática tradicional em literatura viva, capaz de encantar crianças, jovens e adultos que desejam compreender a Amazônia para além dos mapas.

A OBRA:

“A Farinhada Lá na Casa do José”, de Auxiliadora dos Santos Pinto, é uma obra infantojuvenil que resgata com ternura e riqueza de detalhes a tradição das farinhadas amazônicas, transformando memória afetiva em literatura viva. 

Sobre o livro

Autora: Auxiliadora dos Santos Pinto

Ilustrações: Flávio Dutka

Editora: Temática Editora & Cursos

Tema central: A produção artesanal da farinha de mandioca e os laços comunitários que se formam em torno dessa prática tradicional.

Enredo e Proposta

A narrativa se desenrola em torno de uma farinhada - atividade coletiva típica das comunidades rurais e ribeirinhas da Amazônia. Na casa de José, personagens se reúnem para transformar a mandioca em farinha, num processo que envolve trabalho, afeto, troca de saberes e celebração. A autora descreve com sensibilidade a estrutura da casa de farinha, os instrumentos utilizados, os gestos repetidos com maestria e o espírito de cooperação que permeia cada etapa.Mais do que um relato técnico, o livro é uma reconstituição poética da memória afetiva, onde cada personagem carrega histórias, risos e lembranças. 

A farinhada se torna metáfora de pertencimento, resistência e identidade cultural. 

Estilo e linguagem

Linguagem acessível e envolvente, ideal para crianças e jovens, mas com camadas que também tocam leitores adultos.Ilustrações vibrantes e expressivas, que capturam o calor humano e a beleza do cotidiano amazônico.

Narrativa descritiva e afetiva, que valoriza os detalhes e os sentimentos envolvidos na prática comunitária. 

Valores transmitidos

  • Trabalho coletivo e solidariedade
  • Preservação da cultura tradicional
  • Educação patrimonial e ambiental
  • Afeto como elo entre gerações

 Relevância

A obra é um instrumento poderoso de educação cultural, especialmente em contextos escolares que buscam valorizar saberes locais. Ao apresentar a farinhada como experiência sensorial e emocional, o livro contribui para o fortalecimento da identidade amazônica e para o reconhecimento da importância das práticas comunitárias.Como destaca a autora, trata-se de uma homenagem às pessoas que fazem da farinha não apenas alimento, mas também história, afeto e resistência.

Se você busca uma leitura que une tradição, beleza e aprendizado, A FARINHADA LÁ NA CASA DE JOSE  é uma celebração da vida em comunidade - doce como beiju e forte como tucupi.

Numa leitura mais pessoal,diria que: Na casa de José, o tempo não corre - ele repousa sobre a peneira de farinha, espalha-se em grãos dourados, dança entre mãos calejadas e risos compartilhados. A Farinhada Lá na Casa do José é mais que um livro: é um ritual de memória, um canto de pertencimento que se espalha como cheiro de beiju recém-torrado.

Auxiliadora dos Santos Pinto escreve com o coração da terra. Cada palavra é uma raiz que mergulha fundo na cultura amazônica, e cada personagem é uma folha que se abre ao sol da tradição. Ali, na roda da farinhada, não há pressa - há presença. Há o gesto repetido que ensina sem dizer, o olhar que acolhe sem julgar, o silêncio que fala de saberes antigos. Flavio Dutka  colore esse universo com traços vivos, como se cada ilustração fosse um convite para entrar na cena, tocar a mandioca, sentir o calor do forno, ouvir o tambor da vida cotidiana. As imagens não acompanham o texto - elas o celebram.

O livro é uma ciranda de afetos, onde o trabalho vira festa, e a farinha, símbolo de sustento, se transforma em poesia. É uma oferenda à infância que observa, aprende e guarda. É também um chamado à valorização dos saberes populares, da oralidade, da coletividade.Na casa de José, a farinha não é só alimento - é história. E quem lê esse livro, ainda que distante da floresta, sente o chão bater forte sob os pés, como se a Amazônia estivesse ali, viva, pulsante, encantada.Porque A Farinhada Lá na Casa do José é isso: uma celebração da vida que se faz com as mãos, com os olhos e com o coração.

Ao fechar as páginas de A Farinhada Lá na Casa do José, o leitor não encerra apenas uma história - ele guarda um pedaço de chão, um punhado de lembranças que brilham como farinha ao sol. O livro permanece como um eco suave, desses que ficam na alma: o riso que atravessa gerações, o cheiro quente do forno, o compasso das mãos que trabalham unidas. Auxiliadora dos Santos Pinto nos lembra que a Amazônia não vive apenas nas árvores imensas, mas também nos gestos cotidianos que tecem comunidade. E assim, quando a última frase repousa, o coração ainda dança na roda da farinhada, sabendo que ali, entre grãos dourados e afetos antigos, pulsa uma cultura que insiste em florescer. Porque algumas histórias não terminam - elas continuam dentro de nós, como o sabor do beiju que nunca se esquece.

QUEM É A AUTORA?

Auxiliadora dos Santos Pinto é escritora, pesquisadora e professora universitária, natural de Guajará-Mirim (RO). Graduada em Letras e Mestre em Linguística pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR), ela também é Doutora em Letras pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), no campus de São José do Rio Preto.Atua como Professora Associada I na Fundação Universidade Federal de Rondônia, no Departamento Acadêmico de Ciências da Linguagem, em Guajará-Mirim. É líder do Grupo de Estudos e Pesquisas em Literatura, Língua(gens) e Memórias das/nas Fronteiras Amazônicas (GEPELLIM) e integra a Academia Guajaramirense de Letras (AGL).

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