Na Amazônia onde cada amanhecer parece bordado pela própria floresta, Escrevivências na Amazônia Encantada desponta como um sopro de memória que atravessa gerações. Eva da Silva Alves transforma a infância no seringal em matéria literária, tecendo com delicadeza as lições que brotam da terra, dos rios e dos gestos simples de quem vive em comunhão com a natureza.
A menina protagonista aprende o mundo com os olhos atentos e o coração aberto, guiada pelos ensinamentos dos pais e pelo encantamento que pulsa em cada canto da mata. Assim, a autora nos convida a caminhar ao lado dessa criança, sentindo o cheiro da seiva, ouvindo o canto dos pássaros e descobrindo que, na Amazônia, viver é também escrever - e escrever é guardar o que a floresta ensina.
"Escrevivências na Amazônia Encantada”, de Eva da Silva Alves, é uma obra infantojuvenil que celebra a memória, a cultura e os saberes tradicionais da floresta amazônica por meio de uma narrativa sensível e educativa.
Sobre o livro
Autora: Eva da Silva Alves, doutora em Educação.
Título: Escrevivências na Amazônia Encantada (2ª edição)
Editora: Temática Editora & Cursos
Ilustração: Flavio Dutka
Projeto gráfico: Bruno A. Cruz
Enredo e temática
A história gira em torno de uma menina que vive no seringal, aprendendo com seus pais lições valiosas sobre respeito à natureza, solidariedade, trabalho coletivo e identidade amazônica. Esses ensinamentos moldam sua visão de mundo e acompanham-na ao longo da vida. A narrativa é permeada por elementos da cultura ribeirinha e extrativista, com destaque para a oralidade, os costumes locais e o encantamento da floresta.
O conceito de “escrevivência”
O termo “escrevivência” foi cunhado pela escritora Conceição Evaristo e une as ideias de “escrever” e “vivência”. Eva da Silva Alves apropria-se desse conceito para valorizar as experiências reais de pessoas da Amazônia, transformando-as em literatura. O livro é, portanto, uma forma de resistência cultural e afirmação identitária.
Estilo e linguagem
Na vastidão verde onde o tempo dança com o vento, nasce uma menina entre seringueiras e cantos de pássaros. Escrevivências na Amazônia Encantada não é apenas um livro - é um rio de memórias que corre entre palavras, levando consigo o saber dos ancestrais e o perfume da mata molhada.
Uma linguagem que é, ao mesmo tempo, colo de mãe e sopro de mistério, a obra tece um fio invisível que une a pureza da infância à profundidade dos adultos. É uma narrativa que não cabe em mapas; ela caminha na linha tênue onde a realidade das comunidades ribeirinhas e extrativistas se mistura com o puro encantamento.
Eva da Silva Alves, filha da floresta, borda com delicadeza os fios dessa infância amazônica. Cada página é uma folha viva, e o texto pulsa como tambor de festa, ora suave como a rede que balança no alpendre, ora forte como a correnteza. O olhar curioso da menina protagonista transforma a vivência em escrevivência, estimulando o letramento literário que nasce da própria terra.
Ao seu lado, as ilustrações vibrantes de Flavio Dutka não apenas acompanham a jornada - elas cantam junto, pintando o imaginário amazônico em cores que dançam como araras em voo.Neste cenário, o encantamento não é fuga, mas resistência e educação afetuosa. O livro se torna um manifesto poético pela preservação cultural e ambiental, uma ferramenta que valoriza o saber contextualizado das águas e das copas generosas.
É, acima de tudo, um convite para refletirmos sobre como a infância constrói suas memórias. Somos chamados a sentar no chão da floresta e escutar a voz dos povos que nela habitam. Porque esta obra é uma joia encantada da Amazônia: um abraço literário que nos lembra que viver é também escrever - e que escrever é, sobretudo, manter viva a memória da terra.

Logo,
Quando a menina compreende que cada passo no seringal é uma história e cada gesto aprendido é uma herança, percebemos que suas escrevivências não se encerram na última página. Elas continuam vivas, como rio que segue seu curso mesmo quando deixamos de vê-lo. A floresta, cúmplice de sua formação, permanece ali - encantada, generosa, sussurrando segredos para quem sabe escutar.
Ao fechar o livro, carregamos conosco o brilho das seringueiras, o eco das vozes ribeirinhas e a certeza de que a memória é uma semente que nunca morre. Porque, na Amazônia encantada, cada vivência escrita floresce dentro de nós, lembrando que a infância é o primeiro território onde aprendemos a ser, a sentir e a pertencer.
QUEM É Eva da Silva Alves ?
Pós-doutora em Educação, com ênfase em Formação docente e Educação Inclusiva, pela Universidade Federal de Rondônia.Doutora em Educação pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali) Dinter com a Faculdade Católica de Rondônia (FCR). Mestre em História e Estudos Culturais pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR), Campus de Porto Velho. Pós-graduada em Psicopedagogia Clínica e Institucional, pela Universidade Santo André, Polo de Guajará-Mirim/RO.Graduada em Pedagogia, pela Faculdade Pitágoras Unopar Anhanguera, Graduada em Letras e Respectivas Literaturas, pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR), Campus de Guajará-Mirim/RO. Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas Interdisciplinares Afro e Amazônicos ( Gepiaa) e Membro do Grupo de Pesquisa Desafios Socioambientais, Saberes e Práticas na Amazônia da Faculdade Católica de Rondônia (FCR). É sócia administradora da Editora Temática de Rondônia.