ARTE,AMOR E DESVENTURAS
AUTORA: EVA DA SILVA ALVES - Dra.em EducaçãoTRADUÇÃO (INGLÊS): Miguel Neneve - Apresentado na República Tcheca
TRADUÇÃO (ESPANHOL): LAURENT
(LIBRAS): NÁTHALI MACHADO
ILUSTRAÇÃO: FLAVIO DUTKA
TEMÁTICA EDITORA & CURSOS
Entre as margens do subconsciente e o azul onírico que o artista Flavio Dutka pincela na capa, nasce Arte, Amor e Desventuras, uma coletânea poética que se manifesta como um mosaico das linhas fundamentais da experiência humana. Sob a asa sensível da Editora Temática, a obra ganha o mundo sem pedir licença às fronteiras: veste-se de pluralidade nas traduções de Miguel Neneve para o inglês ecoando até as terras da República Tcheca -de Laurent López para o espanhol, e ganha acessibilidade sensorial nos sinais desenhados pelas mãos de Náthali Machado em Libras.
É um livro feito para transbordar, superando barreiras linguísticas e geográficas para tocar o universal através do íntimo.A escrita da Dra. Eva da Silva Alves é um rio que corre com honestidade emocional e acessibilidade. Ela rejeita o hermetismo e as metáforas intransponíveis; prefere a comunicação direta, o olho no olho, o toque na alma. Há uma musicalidade simples e poderosa em suas páginas, como em "Entre Rios", onde a repetição da palavra “água” mimetiza o fluxo dos gigantes Mamoré, Madeira e Jamari, situando sua poesia na identidade pulsante da Amazônia rondoniense. É desse solo de águas e florestas que a autora extrai a sabedoria para traduzir o cotidiano.
Em "Escolhas", ela usa o perfume e os espinhos das rosas para falar de solidão e amadurecimento; em "Sonhos", eterniza em poucas e líricas linhas a onipresença do ser amado.Eva possui o dom de transformar a herança oral e os ditados populares em filosofia viva.
Por outro lado em "Vida Cíclica", ela reconstrói a transição da infância que aceitava o destino - sob o antigo adágio de que "quem ri na quinta chora na sexta" - para a maturidade do eu-lírico que assume as rédeas da própria história e decreta: "todos os dias eu farei uma quinta-feira".
É a mesma resiliência terna que se encontra em "Envelhecer", poema que define a passagem do tempo não como uma decadência inevitável, mas como a sublime arte de sobreviver e acumular afetos na casa do espírito.
No entanto, as “desventuras” que batizam o livro não se limitam às dores íntimas do tempo; elas também se ancoram na realidade brutal das feridas sociais. No poema "Três Tiros", a lírica de Eva se transforma em denúncia e resistência contra o racismo estrutural. Evocando a voz de Elis Regina para lembrar que "a verdade não rima", a autora despe o texto de adornos estéticos e adota uma narrativa direta, crua e cortante.Com ironia ácida, ela expõe a fragilidade paranoica do privilégio branco. Desmascara a "lei máxima" que o preconceito tenta impor quando um homem negro ousa "dividir a mesma calçada com um cidadão", e inverte a lógica da vitimização ao tratar como "coitado" o agressor que se assusta em seu pedestal de condomínio.
O silêncio poético é violentamente rompido pela onomatopeia do "PÁ PÁ PÁ", o som seco do tiro disparado de longe, evidenciando o abismo da desumanização. Ao final, quando a poeta diz que o nome do homem assassinado é "muito extenso" e "não caberia nesta página branca", ela opera um simbolismo profundo: a página branca é o papel, mas é também a branquitude que tenta escrever a história apagando a extensão do luto coletivo e do sangue derramado.
Arte, Amor e Desventuras brilha exatamente por essa humanidade sem filtros. Ao colocar a dor ao lado da beleza, a autora reconhece que as cicatrizes fazem parte da estética da existência.
Ler a escrita da Dra. Eva da Silva Alves é permitir que o coração navegue por um Madeira de memórias, onde a correnteza conduz em vez de arrastar. Em suas páginas, a Arte é o remo, o Amor é a margem e as Desventuras são as pedras que fazem a água cantar mais alto.En la danza de sus versos, el portugués y el español se abrazan como dos ríos que se encuentran para formar un solo cuerpo de esperanza.
Ao fechar o livro, sob o eco das ilustrações leves e misteriosas de Dutka, resta-nos a certeza de que, embora a sexta-feira insista em sua melancolia, a poesia nos dá a força sagrada de inventar, todos os dias, uma eterna e ensolarada quinta-feira.
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